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GESTÃO DE CONFLITOS CONDOMINIAIS: O PERFIL DO SÍNDICO MEDIADOR

December 30, 2016

Saulo Álvares Carvalho de Jesus

Advogado, mediador de conflitos, gestor condominal.

Membro da Comissão de Mediação, Conciliação e Arbitragem da OAB/SE

E-mail: sauloalvares@hotmail.com

 

 

 

Estamos vivendo tempos de exacerbação dos conflitos. A impressão que se tem ao ler as notícias de jornais ou acompanhar discussões em redes sociais é de que o nível de tolerância das pessoas anda muito baixo. Praticamente tudo é motivo para discussões acaloradas e muitas vezes, infelizmente, até mesmo para ofensas desmedidas entre os interlocutores.

 

É importante deixar claro que divergências de opiniões são salutares. A partir das discussões saudáveis e respeitosas é que se torna possível aprimorarmos pontos de vista e até mesmo evoluírmos enquanto indivíduo. A situação só se complica quando em nome dessas divergências o respeito se perde e a violência toma espaço no convívio humano.

 

A vida em condomínio, dada a sua complexidade natural, é permeada por conflitos diários. Justamente por isso, aqueles que estão à frente da gestão condominial devem deter ao menos noções básicas de gerenciamento de conflitos para assegurarem uma convivência pacífica na comunidade que representam. Certa vez ouvi dizer que um bom síndico é um excelente mediador de conflitos.

 

Pois bem, sendo assim, quais as características que podem fazer de um síndico ou gestor condominial um excelente mediador de conflitos? Trazendo como base minha experiência profissional como mediador e, sobretudo, como síndico, apresento alguns pontos que considero vitais nesse caminho.

 

1. SABER ESCUTAR

 

Sempre que ministro alguma palestra ou algo do tipo, costumo dizer que são comuns encontrarmos cursos de oratória no mercado, sempre muito valorizados por sinal, porém até hoje não encontrei um curso sequer de “escutatória”. Com o perdão do neologismo, a verdade é exatamente essa. Temos um anseio enorme por falar. Desejamos que nossa voz seja sempre ouvida e respeitada. E não há problema algum nisso. A questão é que se quisermos mesmo que nossa voz seja ouvida e respeitada pelos outros, devemos antes de mais nada aprender a escutar. Importante frisar que há uma diferença fundamental entre “ouvir” e “escutar”. Essa diferença reside no fato de que o ato de ouvir está mais relacionado aos aspectos fisiológicos do processo, ou seja, eu ouço aquilo que chega aos meus ouvidos e é decodificado pelo cérebro. Escutar vai além disso. Está relacionado com o ato de compreender plenamente a mensagem que está sendo transmitida, analisando-a com atenção. A professora Fernanda Tartuce no livro “Mediação nos Conflitos Civis” (2015, p. 233) explica que através da escuta ativa o mediador “considera atentamente as palavras ditas e as mensagens não expressas verbalmente (mas reveladas pelo comportamento de quem se comunica). Essa é uma forma de valorizamos mais as pessoas e consequentemente sermos mais considerados e respeitados.

 

2. EVITAR JULGAMENTOS ANTECIPADOS

 

Assim como falar, outra necessidade humana muito forte é a de julgarmos toda e qualquer situação. Porém, se quisermos aperfeiçoar nossas habilidades no gerenciamento de conflitos precisamos compreender que em muitos momentos é fundamenal que saibamos adiar o julgamento. A grande vantagem dessa habilidade é que nos permite analisar as situações do ponto mais imparcial possível e com isso auxiliarmos a partes em conflitos a se enxergarem mutuamente a partir de suas posições iniciais de divergência. Caso nos deixemos contaminar pelo julgamento antecipado, certamente tomaremos partido pelo lado A ou pelo lado B e isso afetará todo o processo de negociação. Além do que, mais uma vez partilhando um pouco da minha experiência em audiências de mediação, é muito raro encontrarmos alguém que seja totalmente inocente ou totalmente culpado num determinado conflito. Em geral, as responsabilidade se fundem em maior ou menor grau e o mediador deve ter ciência disso. O professor Willian Ury, de Harvard e autor de vários best-sellers sobre negociação, fala sobre adiar o julgamento da seguinte forma: “Em meus textos e aulas, enfatizo o conceito de ir para o camarote. O camarote é uma metáfora de um espaço racional e emocional em que você assume uma perspectiva abrangente e mantém a calma e o autocontrole” (2014, p. 23). Para adiarmos o julgamento precisamos nos afastar emocionalmente do conflito e analisá-lo à distância, do ponto de vista racional.

 

3. AGIR TECNICAMENTE E MANTER AS PESSOAS INFORMADAS

 

Em minha experiência como mediador, gestor condominal e advogado, procuro sempre tomar minhas decisões com base em critérios técnicos. A grande vantagem em se agir assim é que você faz com que cada um compreenda cada decisão sua de maneira mais fácil e, consequentemente, as aceite melhor. Mais complicado seria se minhas decisões e análises levassem em conta aspectos pessoais como crenças, valores, expectativas. Evidentemente que enquanto ser humano essas variáveis fazem parte do processo, mas dentro do possível procuro me policiar para evitar que elas atrapalhem a tomada de decisão enquanto negociador. Além do mais, é um princípio da mediação a chamada “deicsão informada”, conforme preceitua o Art. 166 do Código de Processo Civil, Lei n. 13.105/2015. Segundo Tartuce, tal princípio refere-se a “manter o jurisdicionado plenamente ciente quantos aos seus direitos e ao contexto fático no qual está inserido”. Ainda que se fale aí em “jurisdicionado” o princípio tem a mesma aplicação em âmbito extrajudicial, que é o caso do dia a dia condominial.

 

Nosso espaço é curto, então por hora trago apenas essas três características que julgo vitais para um gestor condominial que queira se tornar um excelente mediador de conflitos. No futuro é possível que passemos a explorar as outras tantas habilidades existentes.

 

Caso tenha alguma dúvida, entre em contato para que possamos aprofundar essa discussão. Na construção de uma cultura de paz, não resta dúvida de que precisaremos de todos!

 

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